A generosidade um abraço Dado por quem tem Aquilo que os outros Precisam. É um presente De quem gosta de amar, Amar os outros E os que necessitam. Vi além do que meus olhos alcançam E ouvi a voz de um grito na tua alma Um grito cujo já não mais ouvira Por manter no escuro o que te acalma Quando a beleza inflama o amor? Ocorre então de na realidade não sê-lo Traz-me a necessidade de jamais ir vê-lo Por apenas tu tão belo ser... E então? Aí sim seria perfeito, Pois seria óbvio amar sem defeitos Melhor então que tu assim não fosses Para sentir-me melhor em encontrar-te. O óbvio já não me atrai Parece a eu não pertencer Com poucos detalhes o óbvio nos trai E confundi-nos de sentir o verdadeiro ser. Viver em meu mundo tão diferente, Já não me permite ser igual, Meu mundo, em minha tão profunda mente, Desconhece arranhões de um sentir banal. Tua beleza é o complemento de um contexto, Este contexto que tão poucos vêem. Os que vêem não a compreendem, E os que compreendem tentam abster-se. Esta beldade ofusca o perfume Que externas faces e gestos não têm. É como um salto de um alto cume Para encontrar além do que meus olhos vêem. É como me olhar em um espelho... Ver-me de face e não reconhecer. Enxergar-me somente através dos olhos... Que para encará-los tento me conter. Sinto o cheiro de morte Sussurrando ao meu lado Uma vadia serve o copo Absinto sobre a mesa Úmida taberna Do outro lado, intelectuais Putrefatos e enfadonhos Celebram a morte Nos braços de rameiras Cai uma lágrima Lamento e tormento Sou o mais infeliz dos poetas Por que escolhestes tamanho infeliz? Um punhal cravou em minhas costas O que me sobra nesta noite? Se não a lágrima caída num copo de absinto.

Sem comentários:

Enviar um comentário